sábado, 20 de julho de 2024

E hoje já é amanhã.

e eu não esqueço.

não consigo.

nem durmo.

A respiração cisma em falhar e isso não é sobre meditar.

entre tantas vontades, morrer agora me cairia bem (ou já estou morta?)

Sofrer porque o ar falta e coração já não é o mesmo a bater, traz uma dor que não tem fim, não tem começo e nem tempo.

não havia experimentado até aqui  (ou pelo menos não tenho essa memória) nada igual.

é uma sensação de frio com indigestão,  misturada com um sentimento de medo e decepção.

rumo a mais uma noite em claro até o remédio chegar, isso é, se ele chegar...


quarta-feira, 17 de julho de 2024


Seus cabelos,
Balançavam com o vento.
Ela dançava,
Dançava de dia,
Dançava de tarde,
Dançava à noite.
À noite,
Enquanto os archotes brilhavam,
E punham nela muitos fulgores,
Ela sorria e sorria...
Para quem sorria?
Para ninguém.
Bastava, para ela,
Sorrir para si mesma.
Sorria...
Sufocando o pranto,
Que lhe inundava a alma.
Porque, se ela chorasse,
Todos choravam também.
E ela tinha que sorrir,
Cantar,
Dançar.
Bailando,
Como baila o vento,
Cantando,
Como cantam as aves,
Só, tão só...
E, no entanto, dona absoluta,
De todos os olhares,
De todas as mentes,
Que estavam ali.
Cada um achando,
Que era para eles que ela sorria,
Quando, na verdade,
Ela não sorria para ninguém,
Ela sorria para si mesma.
O tempo passou...
E, no vento tão forte,
Que muda a vida,
Mudando as pessoas de lugar,
Daqui para acolá.
Um dia,
Ela deixou de dançar,
Mas não deixou de cantar.
Mesmo na solidão dos pinheiros gelados,
Fazia, com os rouxinóis,
Um dueto encantado.
O rouxinol cantava de tristeza,
Ela cantava de saudade,
De dor...
Por onde andará?
Como estará a terra dos meus amores?
Aonde estarão aqueles,
Que pisam, firme, o chão?
Aonde estará o meu povo?
Será que estão como eu...
Na solidão?
Canta, cigana,
Canta...
Deixa que o vento da vida te carregue,
Que a brisa te abrace
E que as folhas te teçam arpejos,
Nos ninhos dos pássaros.
A solidão nos faz
Aprender a viver,
Dentro de nós,
Num castelo encantado.
Onde se é possível,
Chorar sozinha
E rir, feliz,
Para todos os passantes,
Caminhantes,
Andantes de muitas terras,
De muitos sonhos,
De muitas estradas.
Deixa voar,
O seu sonho de paz,
Porque, um dia, você terá.
Não chore,
Não chore, cigana,
Cante.
Porque, mesmo sem cantar,
Você encanta.
E, Mesmo chorando,
Você sorri.
Deixa o tempo passar,
Deixa as folhas voar,
Voar...
Porque, um dia,
Paz você terá !

quinta-feira, 11 de julho de 2024

M I N H A S      P A L A V R A S

S E U S      S I L Ê N C I O S 

terça-feira, 9 de julho de 2024


 

quinta-feira, 4 de julho de 2024

 


Adoecer é passar a limpo as memórias, o medo e a dor. 

 É por um triz, achar, que vai tudo acabar.

 É gritar sem ter ninguém pra te ouvir.

 É abraçar o medo sem querer e ficar abraçada a ele e ele a você, sem escolha.

 É como subir na montanha russa sem ter como recuar.


sexta-feira, 28 de junho de 2024

 

Eu não sou frágil feito uma flor.

Eu sou frágil feito uma bomba.

terça-feira, 25 de junho de 2024


O que escrevo é mais do que invenção, é minha obrigação contar sobre essa moça entre milhares delas. 

É meu dever, nem que seja de pouca arte, o revelar-lhe a vida.

Porque existe o direito ao grito.

Então grito.


sábado, 22 de junho de 2024

Tenho morrido muitas vezes.

Depois, respiro fundo, lavo o rosto, sigo em frente.

Não é fácil morrer, difícil é renascer, fingir-se de sol, cegar a lua, beber o mar.

Detestável seria ter a covardia dos que me mataram.

Eu sigo renascendo, eles seguem covardes.


quinta-feira, 20 de junho de 2024


bem do outro lado do medo, mora minha enorme coragem
a mesma que deu conta de tudo
com pouco apoio.

bem do outro lado da raiva , mora minha calma
a mesma que resiste a toda tribulação
sem sumir.

bem do outro lado do horror, mora minha  afeição
a mesma que segue  plantando 
mesmo no deserto.

bem do outro lado da solidão, mora minha companhia
a mesma que  me olhou
quando ninguém me via.

domingo, 16 de junho de 2024




Eles se encontraram e já logo sentiam aquele frison pueril e ele olhou nos olhos dela e falou:

  - Hi, cê sabe que a gente vai gostar um do outro né?! 

  - E qual o problema nisso? ela respondeu

    Seguiram inebriados de amor.

Sabiam que eram almas gêmeas.




No Caminho, com Maiakóviski

 (…)

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada. (…)

terça-feira, 21 de maio de 2024

a

luz

de

dentro

apagou

mais

eu

ainda

funciono

quinta-feira, 16 de maio de 2024

 Hoje, eu senti uma vontade enorme de falar com você.

Mais parece que só aprendi a obedecer o "fica quieta".

Vontade de dividir a vida, as histórias e um pouco das alucinações,

Eu sei, (desejo inalcançável?) mais que não sai da minha cabeça nesses últimos tempos

Feito uma idéia fixa que insiste em me alcançar.

segunda-feira, 6 de maio de 2024

coragem 
é o que eu invento
todo dia
pra continuar por aqui

sábado, 4 de maio de 2024



quinta-feira, 2 de maio de 2024


Não há esperanças, já te adianto. 
E se há,  ela é tola e fugaz.
Mais também é feito erva daninha, buscando um meio de ser vista como uma PANC e que mesmo assim, com seu potencial alimentício e desenvolvimento espontâneo, é pouco consumida...
Eu já desisti de tentar mudar o rumo, mesmo que de algum modo, sistemicamente, tudo teima em se arranjar e ainda me mantém viva. Logo eu, que acreditava não passar dos 40...
Eu nunca pensei que seria tão pesado e solitário atravessar esse deserto.
Um fio de esperança sequer nessa hora me alcança.
Já sinto vontade de me despedir, já ensaiei até.
Mais não sou boa em esperar. Nunca fui. 
Existe um pequeno segredo entre o  pensar e o fazer, que meu signo, tão AR, ainda não encontrou a TERRA necessária para concretizar, só cruza com seu FOGO para se consumir...
Sempre me faltou um pouco de chão, acho que foi pelo medo de não acreditar que eu podia contar com algo, alguém ou alguma coisa... cresci meio sem segurança em acreditar, não houve quem me defendesse e nem quem brigasse por mim ou por alguma causa minha, tinha que eu mesma ir lá e gritar. E muitas vezes, eles não gostam de quem grita, de quem pede e quem faz diferente. 
Mais a verdade é que a gente cansa e chega uma hora que começa a fazer menos, e  menos, menos.
Não é fácil crescer.
Não é fácil crer.
Não é fácil ser.
Não é fácil fazer...até porque ninguém faz nada sozinho, sempre estamos de algum modo conectados com algo ou alguém e que por muitas vezes, alheio a nossa vontade, o curso da vida segue e quando a gente vai vê, já se passaram dias, meses e anos;  e estamos lá fazendo o que julgamos que precisa ser feito  e suprimimos a nossa vontade. A vontade nata, a que lateja lá dentro, aquela que, mesmo que você se cale, ela ressoa.
medo de resistir a todo risco
medo de suportar
medo de seguir
medo de pensar
medo de fazer
medo de falhar
medo de sonhar
medo de morrer
medo de matar
medo de sucumbir


sábado, 27 de abril de 2024


 

sexta-feira, 26 de abril de 2024

 a infame distância que insiste em me aproximar de você


quinta-feira, 25 de abril de 2024

Como recuperar minha voz?


Apesar da hora, já dói.
É cedo, eu sei. 
Mais tudo é muito orgânico e nem um pouco gentil.
Dilacera, dá medo, fere.
Pelo menos eu não tenho conseguido me libertar de tamanho peso.
Não quero viver
Não quero morrer
Não quero reclamar.
Mais estou muito cansada.
O grito se calou.


qual é meu lugar de fala?
o que eu represento?
muitas perguntas, e eu aqui, à procura de respostas.

 

quarta-feira, 24 de abril de 2024


Parte de mim quer 
A outra, não. 
Existe um modo de tornar tudo mais leve?
Eu acredito que tem.
Estou cansada de não ter esperanças
De buscar uma saída que não me cabe.
De pedir, de implorar pelo mínimo. 
Sugando da vida apenas uma pequena gota.
Mais fácil mudar a perspectiva, talvez até mudar minhas coordenadas...



terça-feira, 9 de abril de 2024

Se não agora, quando?

 


A neblina que toca, não toca

O que parece que é, nem é mais, (nunca foi?)

Existe uma lembrança, toda na neblina..

(...) você esta enclausurado! não sairá dai e eu não me juntarei a você: mesmo que me enterrem ao seu lado, de suas cinzas para meus restos não haverá nenhuma passagem.. Este você que emprego é um engodo, um artifício retórico. Ninguém me ouve, não falo com ninguém. Isso não pode ser dito, isso não pode ser escrito, isso não pode ser pensado, isso se vive, e é tudo. De toda maneira, eu oscilava como você, entre o temor e a esperança. Meu silêncio não nos separou. (...) já é belo que nossas vidas tenham podido harmonizar-se por um tempo.  






terça-feira, 13 de fevereiro de 2024


                                              
Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo
De amargo então salgado ficou doce
Assim que o teu cheio forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
E forte e cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão
Teu corpo é o meu espelho e em ti navego
E sei que tua correnteza não tem direção
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos
É o mal que a água faz, quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos



"Este é um país livre, onde, desde que não machuque os outros, todos tem direito inalienável de estar tão errados quanto quiserem, têm se enganado, se reprimido, e recusado a generosidade e a abundância do mundo. Nossas recompensas na vida sempre estarão na proporção exata da nossa contribuição, do nosso serviço." 



sábado, 4 de novembro de 2023

Quando alguém morre, há comoção. E esquecemos que a consciência só entrou na porta ao lado...

Hoje aconteceu.
Começou a acontecer, foi uma coisa engraçada.
Eu, quando fecho os olhos, começo a ver sombras nas coisas. Fecho de novo e vejo tudo como um filme antigo.
Tudo em sépia.
Com neblina, nebbia, nevoado, como se uma camada fina de fumaça tomasse conta de tudo (é mesmo um filme antigo?).
Será que morrer é mais ou menos assim? a cor vai se apagando... o vivo delas... tudo vai sumindo. O bonito de tudo.
A cor.
O som.
O cheiro.
O gosto.
Tudo que traz emoção vai se desconfigurando, sumindo.
Perdendo o sentido, se apagando. 
Acho que morrer é meio isso. 
Essa sensação de você fechar os olhos e continuar vendo tudo em câmera lenta, nublado, sem luz, sem força e sem vida.

Porque as coisas não morrem quando eu morro, morre apenas meu olhar em direção a elas. Morre esse sopro.

Esse meu sopro em direção a tudo que sinto e vejo.

Pra morrer e preciso fazer força?

Morrer doí (acho que nossa última dor, como nascer, que foi a primeira dor).

E toda dor é força.

Força que se junta e que se vai.

É preciso ser audaz para fazer força.

Porque se você não ousa, tudo cai por terra.

E a alma se entristece.

E o pulsar fica mansinho.

E a chama se apaga.

Chama apagada perde a coisa bonita da vida. Das vontades.

não tem lado luz e nem lado sombra. É tudo a mesma coisa.

Só tem um amontoado de "eus" sem noção, tudo um ponto de interrogação... E a gente não sabe o porquê. Não sabe nada.

Só sabe que morreu. E o que resta é se entregar ao nada, ao vazio da imensidão. Eu não queria morrer velha. Eu quero morrer logo. Eu quero morrer logo? Será? Agora? Será o quê que eu quero? 

Acho que nem sei o quê. Só sei que quero ir.

Caminhar para algum lugar onde eu possa ouvir o silêncio. E só. Com o passar dos tempos, tenho querido estar no silêncio, cada dia mais.

Há uma vontade avassaladora de mais nada. Só dormir.

Quando eu acordo de manhã, dói.

Dói ver que acordo no mesmo quarto, na mesma cama, com as mesmas dores, olhando as mesmas persianas alaranjadas.

Dói.

Dói ter que pensar que a coluna vai doer quando eu virar na cama, pra levantar, dói se eu estico a perna e me movo lentamente para a frente e para a direita. E quando levanto.

Passo o dia com dor.

Algo me lembrando que carreguei peso demais.

Todo o peso. Sozinha. De criar filho e de me criar.

Todo o peso de escolhas que me levaram a um lugar onde eu mesma não quis estar (pelo menos sozinha não!).

Não achei que fosse tão pesado.

E não achei que todo esse peso carregado, se reverteria a tanta dor.

Essa dor não me cansa de lembrar.

Essa dor não me deixa esquecer.


 

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim.

domingo, 1 de outubro de 2023

Estou ao Sul

Queria ter sinalizado antes para que quando você acertasse a rota, o risco de me atropelar fosse menor.
Mais não. 
Você veio de mansinho, eu não me preocupei no caminho, sem pressa, contando histórias de assombração, política e tesão.
Ganhou o meio de campo.
Desvelou o toque sob o sol quente e claro da manhã. 
Me alimentou. Me pegou pela mão, deu abrigo, partilha e me mostrou repertórios coleantes. 
Eu reagi.
Me inspirei, coração na mão, na boca, boca na boca, pulsação...
Foi tudo tão rápido, desse momento em diante que só vi quando tive que me acertar no sofá para não cair.
Levantar.
Respirar.
Chegar da janela para depois voltar aos seus braços mornos.
As horas passaram.
As bocas.
Sofreguidão.
Não pude deter seu último movimento, tudo contratempo.
Você sem direção.
Eu no chão.
Moída.
Calada.
Oprimida.
Gritei o último não.
Você não se importou, me atropelou.
Eu segui sozinha, na altura do chão.
Procurando a última esperança de me apoiar no meu próprio suspiro e sucumbir. Sucumbir talvez da sua vista, da minha vista, da história sem fim, sem começo, sem tinta, sem tela, sem nada em que me deixastes na altura do chão.

sábado, 27 de maio de 2023

Como é difícil dialogar com a existência de alguém...

segunda-feira, 22 de maio de 2023

tenhodireitoaque?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

A natureza da gente não cabe em certeza nenhuma

 


Li isso.

Fiquei impactada

Reflexiva

Acatei, lá dentro do meu ser, meras palavras

com toda força que me cabe nascer, crescer e morrer.

E você ai presumindo que pode escolher.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Exige uma força ser eu mesma




Por mais que doa é preciso seguir o fluxo da vida e se abrir para o presente, mesmo que ele tenha o tempo contado para virar passado. Sonhei com você essa noite. Não me lembro ter sonhado antes ao longo desses anos todos, acho que por você querer ser a neblina que ficou no passado, mesmo com toda vida cá presente. Você estava tão sereno, calmo e aqui. Eu chorei no sonho e chorei também quando acordei... sei que está tudo certo, como tem que ser e que fazemos parte de uma só Fonte. Mais dói não poder dividir o lastro, os dias vão se tornando ora sem graça, ora nublados, sem saber ao certo o rumo, às vezes me sinto nau sem rumo (lembrei do meu avô vindo de navio da Itália, segundo ele contava, viagem sem fim que durou 4 meses, ). Me enrosco toda em memórias e desejos. Me arrebata a culpa. Mais o amor por ti é perene.